O comportamento do investidor brasileiro em 2025 mostrou um movimento claro de diversificação e busca por produtos de maior rentabilidade em meio a um ambiente econômico ainda marcado por juros elevados. É o que revela o novo balanço da Anbima, divulgado nesta terça-feira, apontando que os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) foram o destaque do ano, com avanço expressivo de 122,8% no patrimônio das pessoas físicas.
Apesar do crescimento proporcional dos FIDCs, os CDBs seguiram como destino preferido do investidor. Somaram R$ 288,7 bilhões em novos aportes e mantiveram a liderança absoluta em volume. A combinação entre remuneração mais alta, liquidez e fácil acesso reforçou o papel dos CDBs como peça central da carteira do varejo. O relatório mostra que, além dos FIDCs, outros produtos também registraram forte expansão. Os ETFs cresceram 47,8% e os títulos públicos avançaram 43,4%, impulsionados pela demanda de investidores que adotaram postura mais ativa em suas alocações.
Os produtos isentos de tributação, como CRA, CRI, LCA, LCI, LIG e debêntures incentivadas, também mostraram resiliência. Cresceram 15,5%, somando R$ 191 bilhões, mesmo após meses de debate público sobre a MP 1303, que previa a unificação de alíquotas para investimentos financeiros. A medida foi retirada de pauta antes de entrar em vigor. O levantamento confirma que o varejo seguiu robusto. O volume financeiro dos investimentos das pessoas físicas aumentou 15,5%, alcançando R$ 8,6 trilhões. O segmento de alta renda se destacou, liderando o crescimento com aporte adicional de R$ 548 bilhões, alta de 21,2%. Ainda assim, o ticket médio desse público caiu 19,8%, refletindo maior número de contas e pulverização das aplicações.
No topo da pirâmide, o segmento Private manteve perfil distinto. Com apenas 0,5% da distribuição da poupança tradicional, concentra 45,5% dos fundos de investimentos e 35,2% dos títulos e valores mobiliários. No volume financeiro, ações seguem como preferência absoluta dos investidores de alta renda, representando 68,6% de sua carteira. A análise regional reforça a predominância do CDB, que cresceu em todas as regiões do país. O Sudeste foi a única região onde houve expansão do investimento em ações.
Segundo Luciane Effting, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima, o crescimento acelerado dos FIDCs está ligado à ampliação da oferta ao varejo tradicional, movimento relativamente recente que coincidiu com maior apetite por diversificação. A executiva lembra que o cenário de juros altos favorece produtos de renda fixa e estruturas lastreadas em crédito.
A fotografia de 2025 indica que o investidor brasileiro está menos concentrado e mais disposto a acessar novas classes de ativos. O resultado é um mercado que cresce não apenas em volume, mas também em sofisticação, oferecendo alternativas para perfis distintos e ampliando o espaço de produtos como FIDC, ETF e títulos privados lastreados em crédito.